Biólogo santiaguense mais uma vez na Antártica
- Saimon Ferreira
- há 23 horas
- 2 min de leitura
O retorno de Fernando Bertazzo ao continente gelado em 2025, permitiu dar continuidade às pesquisas iniciadas em 2023 e comparar os dados coletados, analisando possíveis mudanças no ecossistema antártico ao longo do tempo

Pelo segundo ano consecutivo o biólogo santiaguense Fernando Bertazzo, egresso da URI Campus Santiago, esteve na Antártica juntamente com outros pesquisadores, dando sequência ao estudo, iniciado em 2023, quanto a distribuição e diversidade de Fungos e Plantas no Continente Antártico, além de avaliar como as mudanças climáticas estão afetando a ocorrência desses organismos.
O retorno, ocorrido em 2025, teve início em fevereiro, quando os profissionais ficaram acampados, onde realizaram coletas de solo, plantas e fungos, além de medições ambientais. O acampamento permitiu observar de perto as condições do ecossistema e como ele está respondendo ao aquecimento global.

Já em março, Fernando e os demais profissionais realizaram trabalho embarcado a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano, percorrendo diferentes áreas da Antártica. Durante essa etapa, eles desembarcaram em vários pontos estratégicos para coletar novas amostras e investigar variações na microbiota ao longo de diferentes regiões e condições ambientais. O objetivo foi identificar como os microrganismos do solo estão respondendo ao degelo acelerado e às mudanças nos padrões climáticos.
Em contato com a nossa reportagem, Fernando ampliou sobre as descobertas e o impacto científico da pesquisa: "As amostras coletadas estão sendo analisadas, e já observamos um crescimento na abundância de fungos em algumas regiões, o que pode estar relacionado às mudanças climáticas. O aumento da temperatura e a alteração na umidade do solo podem estar criando condições mais favoráveis para o desenvolvimento desses organismos." disse.
"Estudar a microbiota da Antártica é essencial para entendermos como os ecossistemas estão reagindo às mudanças climáticas. Os fungos desempenham um papel fundamental na ciclagem de nutrientes, e qualquer alteração em sua dinâmica pode ter impactos significativos no equilíbrio ambiental." acrescentou.

Ainda segundo o biólogo, realizar pesquisas na Antártica sempre envolve desafios extremos, principalmente durante o acampamento, onde são enfrentadas temperaturas negativas, ventos fortes e infraestrutura limitada.
"As condições climáticas foram ainda mais severas do que na minha expedição de 2023. Enfrentamos um temporal com ventos de até 80 km/h, além de quatro nevascas, sendo que uma delas durou impressionantes 44 horas ininterruptas de queda de neve. A sensação térmica chegou a -10°C, exigindo cuidados constantes com o corpo e os equipamentos." ressaltou Fernando. Apesar das adversidades, todas as coletas planejadas foram concluidas, reforçando a importância do trabalho em equipe e da preparação para condições extremas.
As pesquisas fazem parte do Projeto TERRANTAR, da Universidade Federal de Viçosa em parceria com o Laboratório de Taxonomia de Fungos da Universidade Federal do Pampa (São Gabriel).
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